Luana e Luan
Dois dias entre estrada, chuva, mar e entrega. Um Trash the Dress vivido sem pressa, onde o inesperado deixou de ser obstáculo e passou a fazer parte da história.
A história
Ainda era madrugada quando saímos de Poços de Caldas. Em Pouso Alegre, Luana e Luan nos encontraram e seguimos juntos em direção ao litoral, com a intenção de chegar à praia enquanto o dia ainda nascia. Queríamos aquela primeira luz, o silêncio da areia quase vazia e o momento em que a noite começa lentamente a dar espaço para a manhã.
Chegamos a tempo de encontrar a praia mergulhada em tons de azul. Começamos a fotografar enquanto esperávamos pelo nascer do sol, mas ele nunca apareceu. O céu permaneceu fechado e, em algum momento, percebemos que não fazia sentido esperar que o dia se transformasse em outra coisa. Aquela era a luz que tínhamos, e havia algo muito bonito nela. As nuvens deixavam tudo mais suave, o mar parecia mais profundo e a paisagem ganhava uma atmosfera quase silenciosa. Em vez de lutar contra o tempo, começamos a criar com ele.
Eu ainda estava de bota, em recuperação, então tudo aconteceu em um ritmo diferente. A equipe, Luana e Luan me ajudaram durante todo o caminho e fomos mais devagar do que normalmente iríamos. Curiosamente, essa lentidão me deu ainda mais tempo para observar. Pensar antes de fotografar, procurar pequenas coisas acontecendo entre eles e construir imagens que não fossem apenas bonitas. A intenção era fazer fotografias fortes, mas que tivessem sentimento por trás. Fotografias em que ainda fosse possível lembrar do frio, do vento, de uma risada ou da sensação daquele instante.
Pensamos o ensaio como uma progressão. Primeiro vieram as fotografias ainda secos, caminhando pela praia e deixando a paisagem fazer parte da história. Depois começamos a entrar no mar, primeiro com a água nos pés, depois até a canela. Aos poucos, as roupas foram ficando molhadas, o cabelo mudou, o corpo começou a reagir à água fria e aquela preocupação inicial simplesmente desapareceu. Até chegar o momento de mergulhar por inteiro. Foi quando deixou de existir qualquer tentativa de controlar o que estava acontecendo. Eles simplesmente viveram.
Durante a tarde, a chuva aumentou muito e chegou um momento em que continuar significaria colocar pessoas e equipamentos em risco. Guardamos as câmeras e voltamos para o hotel. A história teria que esperar mais algumas horas. Na manhã seguinte, retornamos à praia e retomamos exatamente de onde havíamos parado. Luana e Luan voltaram dispostos a viver tudo novamente e se entregaram por inteiro. Aproveitamos o que o litoral nos oferecia naquele momento, exploramos novos espaços e deixamos a experiência conduzir as fotografias.
Depois vieram o banho, as malas novamente fechadas, os equipamentos voltando para os cases e a estrada de volta para Poços de Caldas. Voltamos cansados, mas com aquela sensação boa de ter dado tudo de nós para que algo especial pudesse acontecer. O sol que imaginávamos nunca apareceu. A chuva mudou nossos planos. O ensaio precisou atravessar dois dias. E talvez justamente por isso essa história tenha se tornado tão deles. Um Trash the Dress não precisa de um dia perfeito. Às vezes, basta duas pessoas dispostas a entrar no mar, confiar no que está acontecendo e viver aquilo por inteiro.
Quer viver uma história assim do seu jeito?
Eu fotografo com presença, intenção e espaço para o que realmente importa acontecer.